Andréa Minafra Reys Lamas
educadora e psicóloga com especialização em psiconeurolinguística e psicopedagogia
Percebemos cada vez mais que as crianças, de modo geral e em diferentes unidades escolares, têm dificuldade em resolver conflitos em diversas situações, sobretudo no ambiente escolar, adotando atitudes de rebeldia, vitimização e/ou agressividade em seus relacionamentos. Em outros casos, crianças tornam-se alvos fáceis para a prática de bullying, em função da fragilidade com que reagem aos conflitos.
Diante de casos assim, o ambiente escolar por vezes precisa estar preparado, para auxiliar o aluno a desenvolver capacidades próprias de lidar com suas emoções. Os educadores podem auxiliar seus alunos para que tenham a habilidade de autopercepção, evoluindo à competência de atuação eficaz na resolução de conflitos. Uma forma de alcançar esses feitos é desenvolver atividades de reflexão, dinâmicas vivenciais e práticas de autogestão emocional, por meio de estratégias diferenciadas, como: construção de frases motivadoras, elaboração de murais reflexivos, práticas meditativas e de relaxamento, sempre direcionadas pelo professor.
Considerando as múltiplas inteligências, teoria proposta pelo psicólogo Howard Gardner, pode-se propor que a própria criança, ou jovem, reconheça suas habilidades mais desenvolvidas e as que requerem maior investimento pessoal, tornando-o autor de sua própria história.
Diversos estudos apontam a elevada autoestima como fator fundamental para o sucesso das pessoas em cada área de atuação. Indivíduos com alto desempenho trazem em sua história de vida momentos de superação de obstáculos e competência para lidar com frustrações, transformando os insucessos em exercícios para o aperfeiçoamento pessoal.
Saber lidar com as emoções é crucial para ser assertivo em situações que exijam estratégias eficazes para a resolução de problemas.
Reconhecer as próprias limitações emocionais interfere nas relações interpessoais, uma vez que a criança, ou o jovem, compreende que o outro também apresenta limitações, que precisa respeitar, pois o outro também as pode superar. A inteligência intrapessoal pode ser vista como pré-requisito para o desenvolvimento da inteligência interpessoal.
É, ainda, imprescindível pontuar que o professor é um motivador exponencial, além de também educar-se emocionalmente. O bom professor encanta, motiva, inspira e vivencia. A aproximação entre professor e aluno precisa ocorrer com uma sensibilização, que pode ser iniciada com conversa informal acerca das vivências de cada um, socializando situações de expressão inadequada de certas emoções, comportamentos abusivos e inapropriados, entre outros. Crianças bem orientadas podem se tornar adultos mais felizes e solidários.

